31 outubro 2016

Eu sou uma Diva. Você é um traste.



Eu lembro de todas as suas mentiras. Guardei todas em uma caixa dentro de mim. Vira e mexe, as vejo dentro de mim. Elas se misturam com as minhas incertezas e fortaleciam as minhas fraquezas. Sim, fortaleciam, hoje, não mais.

Não acho patético juntar todos os pedaços das cartas rasgadas. Não falta nenhum pedaço delas, não resta nenhum pedaço bom de você dentro de mim. Não resta mais nada. A saudade virou esquecimento e as suas traições, não vivem (mais) dentro do meu tormento. Aliás, o tormento acabou quando eu decidi exterminar você dentro de mim. Desculpe-me, mas me fazia muito mal. 

Lembro-me de todas as vezes, que eu passava o meu batom vermelho no espelho e você, beijava o meu pescoço e dizia que eu estava linda. Mas enquanto isso, o seu celular vibrava em cima da mesa. Era uma de suas amantes. E você nem percebia, que eu já sabia de todas as suas invenções e farsas. Eu sempre soube de tudo, mas não queria aceitar. Na verdade, eu tinha vergonha de tudo ter ido por água abaixo. Eu tinha vergonha de ter fracassado - na verdade, eu me sentia culpada e pensava, que o fracasso partia de mim - e também, não queria me abater. Não queria que me vissem destruída. 

Eu lembro das noites que você dizia que estava de plantão e eu, em casa com a janta pronta, te esperando para me fazer companhia. Eu te esperei por muitas noites, enquanto algumas te encontravam em algum quarto de motel. 

As contas estavam atrasadas, eu já estava estressada e deprimida. Não vivia pra mim, não estava feliz, eu apenas pensava no homem que não estava fazendo o seu papel de homem em nenhum momento. Um homem que procurava na rua e deixava a desejar em casa. Isso, eu não digo só de presença, eu digo de tudo mesmo. Os gastos aumentaram para satisfazer um mau-caratismo. Desculpe-me, mas nunca precisei disso.

Foi quando me olhei no espelho, passei o batom de sempre, o vermelho e sorri. Mais uma vez você me elogiou, mas fingi não escutar. Eu estava enxergando o meu interior e o quanto eu era Diva. O quanto eu era a mulher de verdade, para um homem, que era um traste. Um egoísta, insensível e imoral, que só pensava em si. Que não se importava com a sua família. Que vivia rodeado de amigos de copo e de mulheres que só pensam no que o homem tem no bolso. 

Perdi boa parte do meu tempo, com um homem que só tinha tempo para amigos e traições. Perdi momentos bons com os meus familiares, por me dedicar a alguém que não valia nada. Perdi amigos. Perdi dias felizes. Perdi lágrimas. Mas quando decidi o melhor pra mim, ganhei vida, ganhei sorriso, ganhei experiência e uma bagagem. Ganhei maturidade.

E hoje meu caro, não tenho culpa por ter me trocado por outra. Não tenho culpa se essa outra, não consegue te fazer feliz. Não tenho culpa se você quis jogar tudo fora. Não tenho culpa por conseguir reagir e você, só se destruir.

Não tenho culpa por ter nascido Diva e você, continuar um traste.

Não tenho culpa.

Joyce Xavier 

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